Dicas

O que não te contam sobre as editoras, prestadoras de serviço e ser independente.

large

O mercado editorial é um sonho para a maioria das pessoas que estão seguindo ou pretendem seguir carreira literária, ter um livro publicado por uma editora reconhecida, e ver ele na vitrine de uma grande rede de livrarias, quem nunca imaginou? mas como conseguir chegar lá?

Sorte? Pagando? Trabalhando duro? Ser descoberto?

E se eu te falar que a resposta são todas as anteriores!

Para começar deve-se partir do ponto que seu livro já está pronto, você terminou de escrever a última palavra e não há mais o que acrescentar, tudo que você precisa agora é publicar, mas, por onde começar, para quem enviar?

Hoje e dia temos a facilidade de termos a internet, tudo fica a um clique de distancia, mas você sabe qual é a diferença entre editora e prestadora de serviço? E qual é o melhor serviço a se usar, e sabia também que existe uma terceira opção de publicação que quase ninguém cogita? Vamos conhecer um pouco sobre cada uma delas.

EDITORA

Editoras são as mais conhecidas, existem milhares e uma mais interessante que a outra, porém é tão difícil chamar a atenção de uma delas, principalmente para nós, meros mortais escritores iniciantes. Acontece que editoras grandes tem preferência em publicar aquilo que eles terão certeza que irá gerar lucro, como autores conhecidos que já tem um publico formado, ou autores estrangeiros, que já tem renome lá fora, pois a venda é certa, não é proveitoso para eles publicar algo que ficará na prateleira, pois por mais que seu livro seja incrível e muito melhor que os estrangeiros, ele não é nada se você não tem nome e nem publico. A vantagem é que eles fazem todo o trabalho de divulgar, fazem o seu lançamento e cuidam de tudo, o autor não tem trabalho com quase nada. Que sonho né?

PRESTADORA DE SERVIÇO

A prestadora de serviço é uma opção interessante e mais em conta se você é um autor iniciante que tem dinheiro para gastar, são conhecidas como editoras também levam nome de editora e algumas de fato são, porém menores, eles publicam seu livro, algumas até enviam para vender em livrarias, porém como você está pagando para publicar eles vão aceitar qualquer coisa, então se seu livro for bom ou ruim, eles irão aceitar. Eu pessoalmente utilizei essa opção duas vezes e para mim foi ótimo, porque eu queria apenas publicar meu livro, porém não me ajudaram a divulgar o livro e a minha prestadora escolhida não enviava livros para livraria e nem ajudava no lançamento, ou seja, era tudo por minha conta, então se você é uma pessoa que não quer fazer toda a parte de divulgação sozinha a prestadora não é uma boa opção, porém se a sua intenção é apenas publicar o livro e não ter trabalho com diagramação é uma ótima escolha.

INDEPENDENTE

Ser autor independente hoje em dia é uma ótima opção, tem sido bem mais rentável, porém como a prestadora de serviço, o trabalho de divulgar é todo seu, e além disso, o trabalho de encontrar um capista, um diagramador e uma gráfica também é todo seu se você não souber fazer tudo isso, então basicamente, você terá muito trabalho, mas é o que terá um custo mais baixo e facilitará você a se auto-publicar. Eu mesma tenho focado na publicação independente esse ano e estou muito feliz com os resultados, então se gostarem desse post e quiserem eu farei outro explicando sobre as etapas da publicação independente.

 

 

Anúncios
Dicas

Os 10 melhores conselhos de escrita segundo a autora Jenna Moreci

TEXTO ORIGINAL: Cyborg Queen Jenna Moreci strikes again. Os 10 melhores conselhos sobre a escrita (na sua opinião):

images
Jenna Moreci

1 – Foda-se a inspiração. O habito é bem mais confiável que a inspiração. As pessoas falam sobre se sentirem inspirados para escrever, o que é bom, mas também é efémero. A chave para pôr as palavras no papel é fazer disso um hábito. Criar um cronograma de escrita, e mantê-lo. Isso é mais útil que a inspiração. Se você apenas escreve quando se sente inspirado, parabéns, você terminará o teu primeiro livro no teu leito de morte. E isso será provavelmente fodido. Ao invés disso, treina-te para fazer da escrita uma parte essencial da tua rotina. Faça isso até que ficar um dia sem escrever seja estranho para você. Pessoas que falam sobre esperar até que as palavras venham para elas, estão se enganando (“are full of shit”). Os autores que na verdade conseguiram fazer da escrita uma carreira a tempo pleno, atingiram este objetivo fazendo da escrita um hábito.

2- Sempre suponha que os teus leitores são inteligentes. Quando você escreve para uma audiência estúpida, você cria um livro estúpido. Com certeza alguns te vêm à cabeça. Escritores muitas vezes sentem a necessidade de explicar todos os conceitos em seus livros porque têm medo que os leitores não entenderão. (…) Você não pode insultar a inteligência do teu leitor. Isso os fará questionar se são espertos demais para o teu livro. Isso não significa que você deve ignorar feedback. Se várias pessoas estão te dizendo que um conceito não faz sentido, conserte-o. Mas você não precisa explicar todos os detalhes. Deixe os leitores descobrirem baseando-se nos contextos e nas descrições. Esse é o objetivo da leitura, afinal de contas. Mas apesar de todas as descrições e diálogos, alguns leitores ainda podem deixar de entender certas coisas. Eles são idiotas. E já há um monte de livro feito para eles.

3 – Se você não sabe o que fazer em seguida, “quebre a perna do teu personagem”. Muitos autores lutam com o avanço do plot, principalmente se chegaram na metade do livro. E a solução é simples: sempre que não sabes para onde ir, complique as coisas. Seja lá qual for o problema, faça-o pior. Pode ser algo como um plot-twist, morte ou lesões. Pode ser algo tão simples como um exame por vir ou o prazo para a entrega de um trabalho.

4 – Seja original. Ninguém se lembra de um caçador de modinhas. Caçar modinhas é bastante comum porque ele é fornece uma rede segura. Você já sabe que este livro tem uma chance de vender porque já existe uma audiência pré-estabelecida. Mas o problema é que as pessoas sempre se lembram do autor que começou a moda, elas não se lembram dos caçadores. Isso não tem problema, se você está escrevendo apenas para criar um livro rápido, embora eu diria que você escolheu o negócio errado para isto. Mas se você quer fazer da escrita uma carreira, as pessoas precisam lembrar-se do teu nome. Para acrescentar, uma vez que um conceito se torne uma moda, maioria das vezes é tarde demais. Leva anos para escrever algo de qualidade. E quando você tiver terminado, a moda já terá ela também terminado. Pare de se preocupar com o que está vendendo no momento. A maioria dos “big guys” não escreveram sobre um conceito porque eram modinha. Eles fizeram dele a modinha.

5 – Cale a Boca. Só porque você sabe tudo, não significa que o leitor deva saber tudo. Você criou um vasto mundo, personagens complicados com passados escuros, temas e símbolos. Agora você tem de se segurar e ter cuidado para não vomitar tudo no teu manuscrito. Esse mundo que você criou, o leitor não precisa saber todos os detalhes sobre ele. A menos que o sistema de importação e exportação esteja diretamente ligado ao teu plot, ninguém se importa. Com certeza o teu personagem terciário teve uma infância triste, mas ao menos que isso esteja ligado a cronologia da historia, não precisamos que ele nos conte isso num solilóquio. Teu trabalho como o criador é de saber tudo, e também saber quando estes detalhes são relevantes. Se eles não são, guarde-os para você.

6 – Você vai sentir vergonha em algum ponto, então é melhor você começar a superar isso. Escrever um livro é humilhante. Haverá momentos em que você desejará se esconder em um buraco e morrer. Se você planeja sobreviver nesta carreira, você realmente precisa aceitar isso agora. “Mas Jenna, e se eu tiver criticas negativas?” Você terá criticas negativas. Todo mundo tem. Se Stephen King não é imune, por que você seria? “Mas Jenna, minha mãe vai ler o meu livro!”. Você acha que minha mãe não lê minhas coisas? Eu detesto te dar essa notícia, mas você escolheu uma carreira constrangedora, o que te deixa com duas opções: você pode não escrever, e viver a tua vida sem se preocupar com o que as pessoas pensam de você, ou você pode tirar esse rabo entre as tuas pernas e escrever o teu livro e confrontar a música que vier com ela.

7 – O leitor nunca deve terminar um capítulo com todas as suas perguntas respondidas. Há apenas um capitulo onde o leitor pode quem sabe ter todas as suas perguntas respondidas. Este é o último capítulo, SE FOR UM LIVRO ÚNICO. Se o leitor não tiver mais perguntas, ele não terá mais incentivos para continuar lendo o teu livro. Então, para cada pergunta que você responde, crie mais uma ou duas perguntas. Digamos que num dos teus capítulos você respondeu o que aconteceu com a mãe do protagonista. Ela está morta. Agora as perguntas são: como ela morreu? Foi homicídio ou suicídio? E se foi homicídio, quem a matou?

8 – Pare de dar desculpas. Fazer quadros bonitinhos, conversar com outros escritores e sonhar acordado com os teus personagens, não é escrever e nunca será. 9 vezes sob 10, ao menos que você esteja escrevendo, editando ou estruturando, você não é produtivo. Todo o resto é apenas desculpa. “Mas Jenna, quadros bonitinhos me ajudam a visualizar a cena!”. Sabe o que também te ajudaria a visualizar a cena? Escrevê-la. Claro que existirão momentos em que precisarás pesquisar conteúdos para a tua história, ou sobre a industria editorial, mas tirando isso, pare de mentir para você mesmo.

9 – Pequenos passos. “Eu quero me tornar um dos melhores, mas me sinto tão pequeno.” Primeiro, se tudo o que você quer é se tornar um dos melhores, você nunca será bom. Segundo, essa é uma pressão do caralho que você coloca nos teus ombros, quando você nem sequer escreveu uma palavra. Ao invés de aspirar se tornar famoso, aspire escrever 20 mil palavras este mês. Ao invés de sonhar vender centenas de milhares de cópias, sonhe vender apenas 1000 cópias. Você sabia que a média de livros de debut publicados tradicionalmente vendem 3000 cópias, em toda a sua existência? Você precisa reajustar os teus objetivos. Se você dividir os teus objetivos, não apenas se sentira melhor consigo mesmo, mas também terá mais chances de atingir o teu objetivo último.

10 – Escreva o que você quer ler. Pessoas tendem dizer “Escreva o que o você quiser escrever!” Algumas vezes este é um bom conselho, outras vezes, nem tanto. Uma melhor opção é escrever o que você quer ler, o que para muitas pessoas, é o que eles querem escrever. O problema é que algumas pessoas apenas querem escrever cenas de sexo, ou cenas de luta. Escrever o que você quer ler é uma boa ideia por diversas razões: primeiro, você já sabe que o livro ainda não existe. Se existisse, você não teria de escrevê-lo para poder lê-lo. Segundo, você já sabe que há um público para o livro, porque você quer lê-lo. “Mas Jenna, e se ninguém quiser ler o que eu quero ler?” Eu suspeito que você não seja tão único como você acha que é. E terceiro, você estará muito mais excitado sobre a história se for algo que você genuinamente quer ler. Será mais fácil de atravessar pelos momentos mais difíceis se você realmente se importa com o projeto.

Bienal de SP 2018

Renato A. Azevedo

Todos os autores do evento Os sem estande, responderam a uma breve entrevista, e aqui no blog vocês poderão conhecer um pouco mais de cada um.

IMG-20180728-WA0015Mini-biografia: Renato A. Azevedo

Engenheiro, escritor e jornalista. Foi consultor da revista Ufo, colaborador do site Aumanack e da revista Sci-Fi News. Apaixonado por livros, quadrinhos, seriados e cinema, lançou dois livros e é autor de contos publicados em várias antologias na última década. É também roteirista, tendo participado da primeira turma da Oficina de Roteiro do Senac. Escreve no blog Escritorcomr.blog.uol.com.br, e cobre eventos e escreve resenhas para o Corujiceliteraria.com.br

Dados da Obra:

De Roswell a Varginha (Tarja Editorial)

Steampunk: Contos do Mundo do Vapor (Dragonfly)

PERGUNTAS:

1- Como se tornou escritor?

Um pouco por acaso, sempre fui grande fã de ficção científica, e na segunda metade dos anos 1990, um pouco por inspiração do seriado Arquivo-X, comecei a escrever um livro envolvendo romance, ufologia, a teoria dos antigos astronautas e temas afins. Depois ainda escrevi duas sequências, e essas primeiras três obras saíram como livros digitais em 2000 pela extinta editora Hotbook, pioneira do e-book no Brasil. Depois não parei mais.

2- Quais suas influências literárias?

Além de seriados e filmes, muitas obras de ficção como as de Arthur C. Clarke e Isaac Asimov, a longa série literária Perry Rhodan, iniciada na Alemanha em 1961 e que está se aproximando de seu número 3.000, além de muitos outros autores, estrangeiros e brasileiros. Julio Verne é um de meus ídolos literários, e estou atualmente procurando conhecer o máximo sobre a obra do Professor J. R. R. Tolkien, cujos livros foram primorosamente adaptados para o cinema. Também leio quadrinhos e publicações e sites científicos.

3- Você é autor independente ou tem vínculo com alguma editora? Quais as vantagens e desvantagens?

Depois dos e-books mencionados acima, comecei a escrever uma coluna para a revista Sci-Fi News, que entre 2004 e 2006 ganhou o nome Quem Conta um Conto…, onde publiquei uma série de minha autoria sobre realidades paralelas, intitulada A Lista. Meu primeiro livro saiu pela Tarja Editorial em 2008, e participei de antologias por várias outras editoras. A grande vantagem de uma ligação com uma editora é contar com serviço profissional de revisão e leitura crítica, que são essenciais e por vezes faltam no caso de publicação independente paga. Este último caminho, aliás, não é algo que eu recomende, por uma série de exemplos de qualidade duvidosa com que já tive contato. Infelizmente o fechamento da Tarja no final de 2013 fechou uma porta para autores novos, iniciando um período difícil para os autores, principalmente da literatura fantástica, cujos reflexos ainda hoje sentimos.

4- Quais são suas obras? Porque devemos lê-las?

Meu primeiro livro foi De Roswell a Varginha pela Tarja Editorial. Publiquei depois uma coletânea de contos pela Estronho intitulada Filhas das Estrelas, em 2011. Tive participações em várias antologias desde então, que são:

Ufo: Contos Não Identificados (Literata), conto A Abdução de Natália;

Histórias Fantásticas vol. 1 (Estronho e Cidadela), A Flecha;

Extraneus 1, Medieval Sci-Fi (Literata e Estronho), Eram os Magos Astronautas?;

Imaginários 4 (Draco), A Chave;

A Fantástica Literatura Queer vol. Laranja (Tarja), A Lista: Letras da Igualdade;

Adeus Planeta Terra (Literata e Corujito), Esperança de Gaia;

Retrofuturismo (Tarja), Céu de Guerra: A Batalha da Inglaterra;

Steampunk (Dragonfly), Utopia e Nova Atenas: Um Provável Passado.

Ainda tenho na Amazon os e-books O Império, o Meteoro e a Guerra dos Mundos, A Lista: Fenda na Realidade, e A Lista: Nêmesis. Gostaria ainda de mencionar meu primeiro conto que saiu em papel, Zé da Pinga, a história de um mendigo abduzido em uma cidade no interior de São Paulo, que foi publicado em dezembro de 2002 na edição 62 da Sci-Fi News, já mencionada acima, e se tornou conto bônus em Filhas das Estrelas. Acredito que essa coleção de histórias de vários gêneros, onde sempre busco proporcionar o “sense of wonder” tão buscado pelos escritores, pode interessar muitos leitores;

5- Qual o gênero literário que mais te agrada como leitor? E como escritor?

Sendo leitor e escritor minha preferência é a literatura fantástica, seja ficção científica ou fantasia, mas gosto de ler tudo, revistas de variados assuntos, livros de história, astronomia e ciência, quadrinhos de variados tipos e procedências, tanto nacionais quanto estrangeiros. Acredito que uma leitura variada nos proporciona uma visão mais ampla do mundo, e assim temos mais elementos para compor nossos próprios mundos ficcionais.

6- O que te inspira? Quais suas motivações?

Inspiração, pela minha experiência, pode vir das mais variadas e inusitadas fontes. Por exemplo, tenho me dedicado nos últimos tempos a um novo universo, desta vez de caçadores de monstros que atuam aqui mesmo no Brasil, e a líder deles é uma velhinha desbocada que dirige um Fusca possuído. Pesquisando descobri a brincadeira do Fusca Azul, e decidi que o veículo dela seria aquele que iniciou a brincadeira, devido a maldição que o possui. A inspiração pode vir de qualquer lugar, fato, outras histórias, basta procurar.

7- Quais são as dificuldades para um Autor Nacional?

A falta de espaço e oportunidades de realizar sua primeira publicação, editoras que cobram por seus serviços sem proporcionar serviços adequados de revisão e correção, e que sequer realizam o necessário trabalho de divulgação. Há ainda as modas sempre passageiras, o espaço exagerado dado a livros de youtubers por exemplo, fazendo com que o autor, comprometido a realizar um trabalho sério e de qualidade, não consiga seu espaço. A disputa com títulos importados, que por vezes possuem também qualidade duvidosa, igualmente prejudica muito os autores nacionais.

8- Acha que escrever é um dom ou produto de um estudo?

Sem dúvida é um dom, um talento que deve ser descoberto, incentivando as crianças a lerem desde cedo, e também colocarem no papel suas próprias ideias. Mas é igualmente produto de estudo, e muita leitura sempre! Daí ser uma atividade tão prazerosa, que deve ser exercitada a todo momento.

9- O que mais te encanta no mundo da Literatura?

Outro autor que admiro profundamente, o saudoso astrônomo e divulgador científico Carl Sagan (da primeira série Cosmos, que a Rede Globo exibiu no início dos anos 1980) certa vez disse: “livros são a prova de que os seres humanos são capazes de magia”. Entrar em contato com a obra e as ideias daqueles que há muito se foram é realmente especial, e poder visitar mundos e universos tão variados, nascidos da imaginação de autores admirados até hoje, e que certamente o serão para sempre, chega a ser indescritível. E o prazer de criar mundos, desenvolver a história de personagens e vê-los literalmente tomando vida é também uma experiência muito especial.

10- Quais suas aspirações literárias?

Mesmo diante de todas as dificuldades continuar acreditando, sonhando e tendo esperanças de conseguir uma profissionalização definitiva. Nunca parar de exercitar a imaginação, e continuar tendo ideias, buscando sempre melhorar e aprender mais, e produzir histórias que continuem a encantar os leitores.

 

Bienal de SP 2018

Ismael de Campos Jr.

Todos os autores do evento Os sem estande, responderam a uma breve entrevista, e aqui no blog vocês poderão conhecer um pouco mais de cada um.

IMG-20180724-WA0014 (1)Biografia: Ismael de Campos Jr.

Nasceu em Campinas, interior de São Paulo, no ano de 1975. Formado em Design Gráfico, trabalhou na área desde o ano de 1997. Atualmente é um empreendedor, gosta de culinária, música erudita, e é músico. Gosta de desenhar, de ler história s em quadrinhos de heróis, e de viajar. Nas horas vagas, assiste a filmes antigos e contemporâneos, pois considera o cinema tão importante quanto à leitura. Sempre gostou de escrever, pois tem uma imaginação fértil para criar histórias.

Dados da Obra: Benjamin Constantino – Amor e Poder

PERGUNTAS:

1.Como se tornou escritor?

Desde pequeno gostava de criar histórias, enredos de filmes e desenhar os personagens.

2.Quais suas influências literárias?

No descritivo, um pouco de Machado de Assis. O resto é pura loucura e devaneios meus.

3.Você é autor independente ou tem vínculo com alguma editora? Quais as vantagens e desvantagens?

Tive um ano numa editora, a Gregory, mas, decidi seguir o meu caminho fazendo independente. As vantagens é que não tem enrolação quando você trabalha só. As desvantagens é que é mais puxado fazer tudo sozinho.

4.Quais são suas obras? Porque devemos lê-las?

Benjamin Constantino – Amor e Poder, Benjamin Constantino – Poder Absoluto. Deveriam ler porque é diferente de tudo que você possa ter lido. Viajo legal na imaginação.

5.Qual o gênero literário que mais te agrada como leitor? E como escritor?

Ficção científica e fantasia. Como escritor também.

6.O que te inspira? Quais suas motivações?

Música e trailer de filmes e alguém que te dá força a continuar.

7.Quais são as dificuldades para um Autor Nacional?

Pouco reconhecimento.

8.Acha que escrever é um dom ou produto de um estudo?

Acho que é loucura porque fujo o padrão certinho.

9.O que é ser escritor pra você?

É ser um anjo da criatividade. Você pode ser o que você quiser ser.

10.O que mais te encanta no mundo da Literatura?

Ideias sem limites.

Bienal de SP 2018

Sandra Regina Lodetti

Todos os autores do evento Os sem estande, responderam a uma breve entrevista, e aqui no blog vocês poderão conhecer um pouco mais de cada um.

055Biografia: Sandra Regina Lidetti

Sandra Regina Lodetti é natural de Criciúma SC. Graduada em Pedagogia pela – FACIECRI – UNESC, Universidade do extremo Sul de Santa Catarina. Pós-graduada em Didática e Metodologia do Ensino Superior – UNESC. Lecionou por 32 anos na Rede Publica Estadual, na área de Ciências Humanas. Iniciou sua carreira de escritora em 2013, logo após sua aposentadoria.

PERGUNTAS

1.Quais suas influências literárias.

Sempre gostei de filosofia, por isso procuro em alguns filósofos como Schopenhauer. Nietzsche, Sartre, Montaigne e outros uma base para meus textos reflexivos que transformo em poesia, e busco em escritores como Drummond, Fernando Pessoa, Quintana, Gregório Matos, Florbela Espanca, Rachel de Queiroz, José Saramago, Federico Garcia Lorca, Baudelaire, minhas referências, pois me sinto muito próxima deles, suas formar de ver, escrever, sobre mudo e sobre suas sensações me fascinam. De modo que procuro conhecê-los e conhecer as suas obras, cada vez mais.

2.Quais são suas obras? Porque devemos lê-las?

Tenho cinco livros publicados:

“Vestida De Mim Mesma” – em verso e prosa- 2015.

“CaleidoscópicaMente” – poesias reflexivas – 2016 .

“Os Homens da Minha Vida,” – uma reflexão sobre a questão de gênero – 2016

“Ao Entardecer… Sob as Asas da Ave de Minerva” – Poesias e fragmentos de suas inquietações existenciais. – 2017

“Átimo” – Poesias – 2018

Creio que a leitura além de uma possibilidade de viajar nas palavras do escritor, é também um gesto de generosidade. Ao ler o leitor apropria-se da obra, pois, os meus escritos não são verdades absolutas, muito pelo contrário, são na verdade minhas questões e estão abertos ao crivo do leitor. Penso que, para os  que meus livros podem ser uma boa pedida para aqueles  gostam de filosofia e de prosa poética.

3. Encara ser escritor como uma profissão ou hobbie?

Nem como profissão nem como hobbie . Minha vida de escritora começou depois de minha aposentadoria, pois foi uma atividade que sempre gostei, mas adiei por conta do trabalho como professora e mãe, que não me permitiam a dedicação devida ao ofício de escrever. De fato não penso em ser uma profissional, escrevo porque amo e levo muito a sério esta atividade, sinto um prazer  indescritível em escrever, e, publicar, na verdade é apenas uma maneira de  deixar registrado o meu trabalho. Mas, sempre recebo com gratidão a gentileza daqueles que se dispões a comprar e ler meus escritos.

 4.O que mais te encanta no mundo da Literatura?

A diversidade de escritores e de leitores. Percebo como a alma humana é diversa e que não há uma literatura que seja boa ou ruim, mas uma diversidade de enfoques e formas de escritas que, podem satisfazer a gregos e troianos, e que o gosto por este ou aquele gênero literário é um aspecto muito particular. Penso que a literatura, assim como todas as outras formas de arte, tem permitido ao homem a ser menos escravizado.

5.O que acha de Concursos Literários? Já fez algum?

Não vejo propósito em participar de concursos, pois não acho que a literatura seja uma disputa. Nunca participei e francamente considero esse tipo de atividade uma afronta ao real sentido do escrever.

6.Você se arrepende de algum livro que escreveu?

Não. Cada livro é para mim como desafio e vejo em cada um deles o meu próprio crescimento, como pessoa e como escritora, todos fazem parte da minha aprendizagem e tem seu papel no processo da minha construção, neste momento em que estou escritora. Tenho um longo caminho ainda, e nada do que foi escrito pode ser negado, pois faz parte daquilo que fui e vivi naquele momento.

7.Qual sua última leitura?

 Minhas últimas leituras foram ‘As intermitências da morte’ – José Saramago.  ‘Morte em Veneza’ e ‘Tônio Kroeger’ de Thomas Mann

 Além dos livros – O livro do Desassossego de Fernando Pessoa, e, A vaca e o hipogrifo de Mario Quintana, que leio de quando em quando.

8.Tem rotina de escrita? Qual?

Não. Eu escrevo a qualquer hora, na verdade, às vezes passo dias meio oca, e existem momentos que escrevo quase que diuturnamente sem cessar. Muitas vezes estou fazendo outra coisa e me vem uma inspiração e então paro o que estou fazendo começo a escrever. É claro que isso só é possível de uns anos para cá. Pois dedico meus dias a viver e a escrever, já que estou aposentada. Depois de 32 nos como professora.

9.Deixe um recado para os leitores.

O que posso dizer sobre algo que é tão particular e individual, mas posso lhes garantir a partir da minha experiência como leitora, que as pessoas podem de fato ser mais humanas quando caminham pelo mundo da literatura. E completo com as palavras de  William Faulkner :

“O que a literatura faz é o mesmo que acender um fósforo no campo no meio da noite. Um fósforo não ilumina quase nada, mas nos permite ver quanta escuridão existe ao redor.”

Bienal de SP 2018

Patty Ciorfi Freitas 

Todos os autores do evento Os sem estande, responderam a uma breve entrevista, e aqui no blog vocês poderão conhecer um pouco mais de cada um, nossa primeira entrevista foi com a organizadora do projeto.

37760491_1960043974017349_5944230446991671296_nBiografia: Patty Ciorfi Freitas 

Formada em Pedagogia, leciona desde os 19 anos. Nascida e criada no ABC Paulista. Escreve desde 2014, e no ano de 2017, iniciou as ilustrações das próprias histórias infantis. Participou da Bienal de SP em 2016, onde lançou dois livros de romance “Vidas Paralelas” e “Vidas Entrelaçadas” duas antologias do Consulado da Poesia “Quatro Estações” e “Um Café, Dois Dedos de Prosa & Alguns Versos” e a Revista Consulado Literário, do Consulado da Poesia, onde participou como colaboradora , organizadora e fundadora.

Participou de mais outras antologias, dentre elas do “Flal Primavera”, “Som dos Poetas”(Portugal), “Universo Mulher”, “Brasilidade”, “Fênix Rediviva”. Dentre suas obras podemos destacar além das citadas, “Fuga”, “Lago Negro” e a Série “Encantos”(poesia). Lançou em 2017 sua primeira publicação infantil “Série Descobertas – Segredos da Natureza, composta por três livros: Escorregador Colorido, Esconde-Esconde e Luneta Mágica. Também tem arrolada em suas obras, Menino Passarinho, seu último lançamento Infantil, trata-se de uma história poética.
Para esse ano já tem previsto para o segundo semestre dois livros infantis e o último da série Vidas.

Confira o trabalho na página Celeste e amigos e Patty Freitas Entre Prosas e Versos no Facebook.

PERGUNTAS

1.Como se tornou escritor?
Sempre fui “rata de biblioteca”. Acredito que para se tornar escritor, primeiramente se torna um leitor. A escrita veio muito tempo depois, há uns quatro anos atrás em decorrência desse vício de ler. Comecei a procurar aplicativos de leitura pela internet e encontrei as plataformas digitais de compartilhamento de textos. Percebi então, que além de ler, eu poderia também compartilhar escritos. Comecei dessa forma, escrever para compartilhar o livro Vidas Paralelas, meu primeiro livro.

2.Você é autor independente ou tem vínculo com alguma editora? Quais as vantagens e desvantagens?
Sou autora independente. A vantagem é ter liberdade para realizar o livro do jeito que eu idealizo, acompanho e de certa forma faço todas as etapas de produção de um livro. E por incrível que pareça, essa é também uma desvantagem, pois fico sobrecarregada. A falta de uma parceria é uma questão ruim.

3.Quais são suas obras? Porque devemos lê-las?
Vidas Paralelas/Vidas Entrelaçadas/Fuga/Lago Negro/Cantos & Encantos Poéticos e os Infantis: Escorregador Colorido/Esconde-Esconde/Luneta Mágica e Menino Passarinho.
Eu acredito que devemos sempre dar oportunidade para os autores nacionais. Temos muitas obras ótimas, mas com pouca visibilidade por conta do preconceito que existe. Gosto dos meus livros, creio que são boas histórias. Além disso, são obras que levam a uma reflexão, seja por confrontar, denunciar ou até esclarecer. As Infantis foram todas pensadas em propiciar o conhecimento, além de oportunizar ao pequeno leitor a empatia com a história e os personagens.

4.O que te inspira? Quais suas motivações?
Observo muito a realidade que me cerca. Gosto de escrever sobre temas que envolve aspectos reais. Além disso, meus filhos são ricas fontes de inspiração. (risos)

5.Quais são as dificuldades para um Autor Nacional?
Preconceito. E esse gera falta de oportunidades.

6.Acha que escrever é um dom ou produto de um estudo?
Sim. É um dom, porém todo dom deve ser aperfeiçoado. Na realidade é uma junção das duas coisas. O leitor merece ler uma boa obra. E o escritor tem por obrigação um constante aperfeiçoamento.

7.Encara ser escritor como uma profissão ou hobbie?
À partir do momento que busco me aperfeiçoar para cada vez mais melhorar a minha escrita, ela passa de hobbie à profissão. Infelizmente não há adequada valorização, o que nos leva a não utilizar a escrita como nossa principal fonte de renda.

8.O que é ser escritor pra você?
Ser escritor é despir-me de preconceitos para retratar a vida as e as pessoas.

9.O que mais te encanta no mundo da Literatura?
Viajar sem sair do lugar!
Soltar a imaginação tanto pra ler como para escrever é mágico.
Apesar de gostar de escrever sobre a realidade que me cerca, criar situações que seriam inimagináveis na realidade é algo muito interessante. A Literatura também abre portas para conexões com as outras artes, como é o caso do teatro, cinema, tv…Amo isso!

10.Quais suas aspirações literárias?
Ser reconhecida como escritora. Ver a Literatura Nacional de modo geral ter o lugar que merece no panorama mundial.

11.Como vê a mulher escritora?
Historicamente falando, a mulher sempre teve que se impor. Constantemente a mulher tem que mostrar ao que veio. E na Literatura isso não é diferente. Assim como em certas profissões ainda somos malquistas; Mulher na construção civil! Ou dirigindo caminhão! A única máquina que deveríamos pilotar seria o fogão, na visão de muitos. Na escrita, acontece o mesmo; ainda é o lugar só de grandes autores. Infelizmente ainda há quem olhe com espanto! Ou melhor dizendo, com preconceitos. Assim, como na relação Nacional-Estrangeiro.

É uma batalha árdua, diária. Dependendo do gênero ou assunto que você aborda, isso é ainda mais difícil. Mulher não pode escrever ou se escreve, não pode abordar sobre sexo. Se o faz, é vulgar!! Mas estamos conquistando espaços cada vez mais. E a profissionalização da escrita é necessária também nesse sentido. É uma forma de valorização.

Bienal de SP 2018, Sem categoria

Sorteio de livros na Bienal | Os Sem Estande

37810548_2260710417480796_5132238511423881216_n

Teremos muitos SORTEIOS d’os Sem (COM) Estande.

Por isso fique de  lá na página do evento Os Sem Estande

1. SORTEIOS Avulsos:
*Será lá pela página, com entrega ao ganhador após o término da Bienal. E para participar é muito fácil:
– confirme presença (on line) no evento  e curta as páginas dos nossos parceiros:
Editora Coerência
https://www.facebook.com/editoracoerencia/
Lion Publicidade e Livros
Editora Livros Prontos.
https://www.facebook.com/LionPublicidadeEEditoraLivrospron…/

2. MEGA SORTEIO:
Concorra a uma super cesta de guloseimas literárias (livros, marcadores e coisinhas afins)

– PASSE no estande N58 no Dia 09/08 das 20:00 às 21:00hs e já receba uma senha.
💕Nosso modo de agradecer sua presença.💕

– Compre qualquer um dos livros dos autores participantes e receba mais uma.

Vai ser uma grande festa, com fotos, autógrafos.
Não Percam!!!

Bienal de SP 2018

Os Sem Estande | Bienal de SP 2018

37641174_1958772077489895_7732084345720012800_n
Link do evento no facebook: Os Sem Estande

A autora Patty Ciorfi Freitas teve uma ideia genial, reunir na praça de alimentação os autores que não tem editora e nem estande na bienal para se conhecerem e vender seus livros na bienal, o projeto então ganhou o nome de “Os Sem Estande”, só que uma editora muito bacana gostou do projeto e decidiu apoiar, e agora os sem estande tem um estande, graças as suas parceiras, Editora Coerência, Lions Publicidade e Livros e a Livros Prontos.

www.editoracoerencia.com.br

www.livrosprontos.com

www.lionpublicidadeelivros.com

Então se você quiser conhecer autores nacionais muito legais venham nos encontrar na bienal, em breve farei um post com a data e horário e divulgando os autores que irão fazer parte desse projeto.

Vamos conhecer um pouquinho sobre a idealizadora do projeto?

Este slideshow necessita de JavaScript.

Patty Ciorfi Freitas tem 42 anos, é casada, mãe de três filhos. Formada em Pedagogia, leciona desde os 19 anos. Nasceu no ABC Paulista. Aos 22 anos mudou para São Paulo capital. Participou da Bienal de SP em 2016, onde lançou dois livros de romance “Vidas Paralelas” e ” Vidas Entrelaçadas” e duas antologias do Consulado da Poesia “Quatros Estações” e “Um Café, Dois Dedos de Prosa & Alguns Versos”, onde é fundadora, idealizadora e organizadora. Participou de mais outras antologias, dentre elas do “Flal Primavera”, “Som dos Poetas” (Portugal), “Universo Mulher”. Dentre suas obras podemos destacar além das citadas, “Fuga”, “Lado Negro” e a Série “Encantos”. Lançou em 2017, a coleção infantil “Séries Descobertas – Coleção Segredos da Natureza”, composta por: Escorregador colorido, Luneta mágica e Esconde-Esconde e a história Poética Menino Passarinho.

Instagram: @pattyfreitasautora

 

Poetas e poetisas

Florbela Espanca

A poetisa dos excessos

Quando estava no colegial me apaixonei em ler poemas, gostava muito dos autores Nacionais e era os que mais estudávamos na época. Havia uma garota que estudava na minha classe que se chamava Maristela, ela assim como eu era apaixonada por poesia, lembro que a primeira vez que ouvi falar de Florbela Espanca era porque ela estava rabiscando um de seus poemas, tenho lembranças boas dessa época, porque lembro que Maristela, tinha uma letra bonita e sempre rabiscava as bordas de seus cadernos, foi ela quem me falou de Florbela, lembro que ela falava com paixão sobre a poetisa, sobre seu jeito triste de escrever e passar toda sua dor para o que escrevia. Comecei então a pesquisar mais sobre a vida dela, e descobri muito em comum entre eu e seus poemas, essa poetisa é uma verdadeira fonte de inspiração pra mim, vou falar um pouco sobre ela, e postar abaixo o primeiro poema dela que eu conheci.

Florbela Espanca
Poetisa portuguesa, natural de Vila Viçosa (Alentejo). Nasceu filha ilegítima de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo, criada de servir (como se dizia na época), que morreu com apenas 36 anos, «de uma doença que ninguém entendeu», mas que veio designada na certidão de óbito como nevrose. Registada como filha de pai incógnito, foi todavia educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se como curiosidade que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa, por altura da inauguração do seu busto, em Évora, e por insistência de um grupo de florbelianos, a perfilhou.
Estudou no liceu de Évora, mas só depois do seu casamento (1913) com Alberto Moutinho concluiu, em 1917, a secção de Letras do Curso dos Liceus. Em Outubro desse mesmo ano matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que passou a frequentar. Na capital, contactou com outros poetas da época e com o grupo de mulheres escritoras que então procurava impor-se. Colaborou em jornais e revistas, entre os quais o Portugal Feminino. Em 1919, quando frequentava o terceiro ano de Direito, publicou a sua primeira obra poética, Livro de Mágoas. Em 1921, divorciou-se de Alberto Moutinho, de quem vivia separada havia alguns anos, e voltou a casar, no Porto, com o oficial de artilharia António Guimarães. Nesse ano também o seu pai se divorciou, para casar, no ano seguinte, com Henriqueta Almeida. Em 1923, publicou o Livro de Sóror Saudade. Em 1925, Florbela casou-se, pela terceira vez, com o médico Mário Laje, em Matosinhos.
Os casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas, em geral, e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem Florbela estava ligada por fortes laços afectivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra. Em Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos, tendo sido apresentada como causa da morte, oficialmente, um «edema pulmonar».
Postumamente foram publicadas as obras Charneca em Flor (1930), Cartas de Florbela Espanca, por Guido Battelli (1930), Juvenília (1930), As Marcas do Destino (1931, contos), Cartas de Florbela Espanca, por Azinhal Botelho e José Emídio Amaro (1949) e Diário do Último Ano Seguido De Um Poema Sem Título, com prefácio de Natália Correia (1981). O livro de contos Dominó Preto ou Dominó Negro, várias vezes anunciado (1931, 1967), seria publicado em 1982.
A poesia de Florbela caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito. A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico. Simultaneamente, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas, transbordando a convulsão interior da poetisa para a natureza.
Florbela Espanca não se ligou claramente a qualquer movimento literário. Está mais perto do neo-romantismo e de certos poetas de fim-de-século, portugueses e estrangeiros, que da revolução dos modernistas, a que foi alheia. Pelo carácter confessional, sentimental, da sua poesia, segue a linha de António Nobre, facto reconhecido pela poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, é, sobretudo, influência de Antero de Quental e, mais longinquamente, de Camões.
Poetisa de excessos, cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina (em que alguns críticos encontram dom-joanismo no feminino). A sua poesia, mesmo pecando por vezes por algum convencionalismo, tem suscitado interesse contínuo de leitores e investigadores. É tida como a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX.

Esse foi o primeiro poema dela que eu li:

Eu …
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada … a dolorida …
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
“Florbela Espanca”
Ainda hoje, muitos anos tendo se passado desde então, sou inspirada por essa poetisa incrível, seus poemas ainda tocam minha alma, e continuo me identificando com suas dores e seus amores, e vocês, já conheciam Florbela, sua obra? ou nunca tinham ouvido falar?
Crônicas

Insônia

Não estou em um dia bom, tenho tido dias assim, não sei o que acontece comigo, sinto que não posso estar plenamente contente, que quando minha felicidade chega ao auge pode se esperar uma grande queda a seguir. Sinto-me constantemente caindo em um buraco sem fundo, esperando a qualquer momento o baque surdo do meu corpo contra o chão, o baque que nunca acontece e fico naquela constante espera. Tenho tido noites de insônia, o que me faz acordar tarde todos os dias, sempre depois do meio-dia, meu sono nunca é calmo, tenho sonhos turbulentos, mas a verdade é que gosto desses sonhos, eles meio que me inspiram a escrever. Normalmente acordo e fico mais uma hora deitada olhando o teto, não é preguiça de levantar da cama, é falta de coragem mesmo, tenho medo do mundo fora da minha cama, fora da minha área de proteção, tenho mil planos que tenho medo de tirar do papel, tenho mil sonhos e medo de sonhar todos eles, tenho muitos desejos, mas nenhum gênio para realiza-los.
Levanto da cama, meu corpo dolorido de dormir até tarde, escovo os dentes em um ritmo preguiçoso, e jogo uma água na rosto para tentar despertar, tomo um xícara de café ainda tentando despertar e depois faço o que tiver pra fazer ou que tiver que fazer, sim meus dias tem sido chatos e monótonos, mas não posso reclamar um pouco de monotonia me faz bem e me dá tempo para uma boa leitura, tenho conseguido ler muitos livros ultimamente,  meu problema tem sido escrever, não tenho conseguido colocar no papel o que preciso, talvez o jeito seja mudar meu foco, é acho que isso pode dar certo, enquanto isso vou continuar acordando tarde pois isso me faz bem.