poemas

O MEU CORAÇÃO NÃO FOI FEITO PARA SOFRER – Josielma Ramos

Fui criada acreditando que não era merecedora...
...de amor,
De crescer,
De vencer,
De ter,
De ser,
De sonhar.

E nessa vida de acreditar que era nada,
Tornei-me o que mais temia,
Um alguém sem fé,
Tanto desacreditei que merecia,
Que aquilo se tornou um mantra em meu coração...
...não mereço amor
Não mereço perdão.

Perdão de que?
Se nada fiz para precisar pedir desculpas.

Mas cresci assim,
Acreditando que tudo que dava errado,
Era sempre minha culpa,
Então eu pedia perdão...
...perdão,
Desculpa.

Acreditava tanto que não merecia amor,
Que quando encontrei alguém que me deu atenção
Achei que era amor...
...e não era,
Era posse,
Ciúme,
Obsessão,
Solidão.

Acreditava que a culpa era minha,
Pois era indigna de atenção,
Que aquilo era o máximo que eu teria na vida, 
Um amor que não era amor,
Não era amor nem pela metade.

E foi só quando descobri que aquilo não era para mim,
Que descobri que eu merecia mais,
Merecia um amor completo,
Merecia uma vida sem me desculpar tanto por nada,
Sem me desculpar por ser quem sou,
E assim eu pude...
...crescer,
Viver,
Vencer,
E finalmente ser amada. 
projetos

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

A semana da consciência negra é uma programação com vivências afro-referenciadas, em prol da consciência negra. O dia 20 de novembro teve como marco a morte de Francisco Zumbi, conhecido como Zumbi dos Palmares, líder quilombola brasileiro do quilombo dos Palmares no qual liderou ao lado de duas mulheres destemidas: sua avó Aqualtune e sua esposa Dandara. A data 20 de novembro nos convida a mergulhar em temáticas relacionadas à população negra, conscientizando a humanidade a cerca da condição do negro no Brasil.
No dia 21 de novembro, a partir das 14h, serão realizadas algumas atividades no Projeto Arte SIM! Com a programação da Semana da Consciência Negra, realizada pela parceria de coletivos afro pedagógicos e artistas locais, as atividades acontecerão simultâneamente no espaço do Projeto Arte SIM! Localizado na Rua Estrela D’alva – bairro 120, Santana de Parnaíba – SP, CEP 06528330, ponto de referência Parque Municipal Tibiriçá.

Nesta data (21), teremos a vivência da dança hip hop, com o arte educador Zulu Lean , educador de danças urbanas, frevo, soul funk, breaking e hip hop, através do Tarimbado Urbano, projeto itinerante de arte urbana e cultura popular. Simultaneamente teremos a vivência de recital, jogos literários/oralituras, leitura compartilhada do livro “Narrativas Negras” (biografias de mulheres negras) mediação realizada pelos poetas locais:
Caio Gabriel (@caio.gabriels), articulador cultural, escritor, estudante de letras na USP, idealizador do Sarau Marginália.
Josielma Ramos (@escritoraramos), poeta, mãe, artesã, escritora antologista com mais de 10 livros autopublicados, integrante do Coletivo Flores de Lótus (movimento literário feminino de Parnaíba).
Leila Santos (@pessoasolar), poeta, atriz e Curinga de Teatro da/o Oprimida/o, contadora de histórias, performer, integrante do Coletivo Flores de Lótus (movimento literário feminino de Parnaíba).
Romildo Silva (@romildodesouzasilva), poeta, ator, professor de teatro, sambador e escritor autopublicado.
Na ocasião convidamos o coletivo Sabenças @coletivosabencas (Projeto de formação de docentes para linguagens decoloniais) para se juntar na mediação de leitura. A programação não para por aí, no espaço teremos a presença do talentoso artista plástico e educador publicitário, Regiz ART (@regiz_art) com a exposição de suas telas que ressaltam a pintura com estética negra.

Semana da Consciência Negra
21 de novembro de 2021, a partir das 14h.
No projeto arte SIM!

Parcerias:

Coletivo/ong:
@projeto_artesim
@coletivofloresdelotus
@marginalia_sp
@coletivosabencas
Facebook: Tarimbado Urbano

Afro educadores:
@caio.gabriels
@escritoraramos
@pessoasolar
@romildodesouzasilva
@regiz_art
Facebook: Zulu Lean

Link de inscrição:
https://surveyheart.com/form/618c95616986b223168335d5

poemas

SAUDADES – Josielma Ramos

Poema do livro Visões Poéticas”

Simplício Mendes,
Será que um dia voltarei a te ver?
Terra onde nasci,
E onde tão pouco pisei.

Será que ainda subirei em uma árvore de cajá?
No meio do mato
Em seu solo tão árido.

Será que voltarei a ver meu avô e minhas avós?
Os tios que por lá deixei,
Primos desconhecidos.

Será que ainda irei me banhar lá no pinga água?
Não, na seca secou,
E não pinga mais nem uma gota.

Será que ainda verei,
Palmas e árvores de favela,
Tão difíceis de apanhar,
E as galinhas no mato,
E as ovelhas e cabras no pasto seco?

Será que ainda correrei,
Daquela vaca que eu provocava,
Quando tentava chegar perto do bezerro?

Será que ainda verei,
Meu avô matando cabra,
Para a fome matar?
Verei ele lá na roça,
O sustento plantar?

Será que ainda sentirei o cheiro dele?
De cachimbo, pinga, suor e terra.
E da minha avó,
De fogão de barro e lenha.

Ainda verei,
O burrinho empacar na estrada de areia?
E na areia as lagartas verdes,
Lentamente a correr.

Será que ainda verei,
Minha avó doentinha?
Aquela que o médico disse,
Não haver mais cura.

Verei a árvore de juá?
Na frente da casa de dona Aniza,
Que medo de cobra tinha,
E ficava na cadeira de balanço,
Proseando com vó Edita.

Verei minhas amigas de infância?
Aquelas a quem ensinei amarelinha,
Aquelas que me ensinaram a brincar de roda,
Que comigo corriam entre arbustos no mato,
A roubar os ovinhos dos passarinhos.

Será que ainda verei o centro da cidade?
Onde todo domingo,
Minha avó me levava para tomar sorvete.

Verei os ônibus de viagem,
Levando o povo para outra cidade,
Com aperto e saudade,
Por deixar a terra amada.

Talvez eu vá embora,
E verei olhos que choram,
E mãos acenando,
Dando-me adeus.

Talvez eu volte,
Com saudades no peito,
E uma vontade veloz,
De ali plantar minha vida,
De ali rever minha família.

@salvando_me, poemas

SOLUÇAR – Josielma Ramos

Eu ainda estou aqui lutando, Deus sabe que estou (se é que ele existe), ele bem sabe o quanto tenho tentado, mas a verdade é que estou cansada de tanto lutar e nunca ganhar, cansada de nada dar certo ou seguir o fluxo que planejei. E ninguém pode me ajudar, não podem porque eu não quero, eu afasto as pessoas da minha vida, eu tenho medo, eu tenho vergonha, eu fui criada assim, pra sempre engolir tudo que sinto, para apenas mostrar o lado bom da minha vida, criada para mentir sobre as dores que levo na alma, até o ponto de explodir, mas até isso fui ensinada a esconder, não posso surtar, não posso chorar até soluçar, tudo tem que ser feito escondido, na madrugada quando todos estão dormindo, no escuro para que ninguém veja a minha cara inchada de tanto chorar, em silêncio para ninguém acordar. Eu não aguento mais…

@salvando_me

Um dia não nos lembraremos de nada disso (texto escrito em alguma época antes de eu trintar)

Fico aqui olhando por longos minutos para a tela do computador pensando em como começar esse texto, uma página em branco sempre traz inúmeras possibilidades, mas eu penso sobre o que escrever? Por onde começar? Tenho tido mil ideias, mas nada me parece bom ou aproveitável, tudo parece tão vazio, minha vida tem sido um misto de vazio e solidão.
Posso parecer dramática falando assim, mas não tem sido fácil, eu pensei que nessa fase da minha vida eu estaria em uma posição diferente, provavelmente formada e trabalhando na área, passei a adolescência sonhando com um príncipe encantado que me salvaria e me carregaria nos braços, tola que fui, eles são mitos, assim como o pé grande ou papai noel, invenções de pessoas que tentam nos fazer acreditar em alguma magia, que existe algo bom, mas príncipes não são bons, eles buscam por princesas bonitas, perfeitas e educadas, aquele misto de qualidades que existem em diversas mulheres e eles esperam que exista apenas em uma, eu não sou e nunca fui perfeita, minha mãe me educou muito bem, mas as vezes dá preguiça de ser educada com algumas pessoas, beleza é uma coisa relativa, pois o que é belo para mim pode não ser assim tão belo para o amiguinho.
Enfim tenho aquela esperança que antes dos trinta eu tenha alcançado pelo menos metade dos meus objetivos, a maioria dos que tinha para alcançar antes dos 25 foram realizados com sucesso, essa deprê que estou sentindo é recorrente, e ela sempre vai estar por aqui, alguns dias com mais força e outros eu nem irei senti-la, mas por enquanto o que me resta é sonhar com um belo futuro que chegue o mais próximo possível do que planejei, e se nada for como planejei, sempre terei minha rota de fuga, afinal, um dia nada disso importará, os problemas serão pequenos, e provavelmente nem me lembrarei que os tinha.
Resenha

A garota no gelo – Robert Bryndza | Resenha de Josielma Ramos

Sinopse: Seus olhos etão arregalados… Seus lábios estão entreabertos… Seu corpo está congelado… Mas ela não é a única. Quando um jovem rapaz encontra o corpo de uma mulher debaixo de uma grossa placa de gelo em um parque ao sul de Londres, a detetive Erika Foster é chamada para liderar a investigação de assassinato. A vítima, uma jovem e bela socialite, parecia ter a vida perfeita. Mas quando Erika começa a cavar mais fundo, vai ligando os pontos entre esse crime e a morte de três prostitutas, todas encontradas estranguladas com as mãos amarradas, em águas geladas nos arredores de Londres. Que segredos obscuros a garota no gelo esconde? Quando mais Erika está perto de descobrir a verdade, mais o assassino se aproxima dela. Com a carreira pendurada por um fio depois da morte de seu marido em sua última investigação, Erika deve agora confrontar seus próprios demônios, bem como um assassino mais letal do que qualquer outro que já enfrentou antes.
A garota no gelo é o primeiro livro de Robert Bryndza publicado no Brasil e, também, seu primeiro romance policial. O autor começou sua carreira publicando a série de chick-lits protagonizada por Coco Pinchard, e estreou nos romances policiais com a história da detetive Erika Foster, que se tornou bestseller e ganhou outras duas continuações, The Night Stalker Dark Water
Resenha: Após a morte do marido em sua ultima investigação, Erika Foster é afastada de suas funções como investigadora, mas meses depois quando Andrea Douglas Brown, a filha de uma figura politica importante em Londres é encontrada morta em um lago congelado próximo a um museu, ela é chamada para assumir o caso, logo Erika descobre que a socialite não foi a única vítima do assassino, porém as outras 4 mulheres por serem prostitutas faz com que o caso passe despercebido e o assassino impune.O livro é daqueles que desperta sua curiosidade já no começo, com capítulos curtos e narrativa envolvente, o que nos faz perder a noção do tempo, eu particularmente tenho uma paixão especial por Romances policiais (como podem ver nas minhas resenhas anteriores o meu amor por Agatha Christie). O livro começa em um ritmo tranquilo e conforme ele vai se desenvolvendo você vai se aprofundando na leitura mais e mais após conhecer os personagens e entrando em um ritmo frenético ao ir descobrindo novas evidências, é uma leitura que flui, o livro é narrado em em terceira pessoa na perspectiva de Erika Foster.O que eu mais amo em livros nesse estilo é chegar ao fim sem que o autor deixasse escapar quem é o assassino, estou super ansiosa para acompanhar o que vem por ai com a continuação desse livro maravilhoso.

poemas

Finalmente chuva, finalmente frio, nada combina mais com esse vazio…

Estou aos poucos reencontrando o caminho de volta a mim, um dia fugi de quem eu era com medo do quão longe poderia chegar, ou nunca chegar, tinha medo de nunca ser alguém, nunca fazer nada extraordinário, e por isso me tranquei em um mundo que não era meu, um mundo ao qual nunca consegui me encaixar, onde nunca fui aceita por ser quem sou.
Meu medo me fez perder muitas chances, e todos meus planos e sonhos se realizaram muito mais tarde do que deveria ter acontecido, ainda há tanto que quero realizar, não sei quando ou como, vou vendo conforme minha vida for acontecendo.
Mas no momento o que acontece é que algumas vezes ao mês fico deprimida, fico pensativa, penso na minha vida, penso em tudo que eu poderia ter sido, talvez? Quem sou, o que sou, o que serei, serei nada? Tenho medo principalmente de nunca ser nada.
Mas enquanto nada acontece, continuo aqui na minha depressão inspiradora, por que sim isso me inspira e confesso gosto de ser assim, meio esquisita, meio depressiva, isso as vezes até que me faz bem.

Resenha

O senhor das moscas – Willian Golding | Resenha de Josielma Ramos

Sinopse: “Depois de um acidente de avião, um grupo de estudantes chega a uma ilha. Eles acabam se dividindo em dois grupos. Enquanto um é organizado, o outro recorre à selvageria e usa o medo do desconhecido para controlar os outros.”

Resenha: Perturbador… Foi essa a impressão que me deixou a alegoria do inglês vencedor do Nobel de Literatura, William Golding.
A um leitor desavisado talvez a trama possa passar por um livro de aventura. Os elementos estão todos lá: garotos cheios de energia, ansiosos por se verem livres das sufocantes regras impostas pelos adultos, abandonados em uma ilha inabitada, cheia de mistérios e pronta a ser explorada. Mas as semelhanças com este tipo de gênero literário acabam por aí! 
O Senhor das moscas é a história de um grupo de meninos que estava viajando e o avião caiu em uma ilha deserta. A história é contada na maior parte das vezes pelo ponto de vista de Ralph, que se torna o líder depois de uma votação democrática e rapidamente decide que eles precisam ter regras para sobreviver no local.
Ralph tem um aliado muito importante, o Porquinho, que funciona como o cérebro do grupo. Ele é muito cético e tem as melhores idéias, sempre usando o bom senso. Ele também se torna um aliado muito bom, porque a maioria das crianças só está interessada ​​em se divertir e caçar e, muitas vezes, Ralph e Porquinho parecem ser as únicas pessoas realmente interessadas em encontrar uma maneira de sair da ilha.
Outro personagem que se destaca é Jack, o líder do coro de meninos. Jack também tem características de um líder, e muitas vezes discute com Ralph, já que divergem em vários assuntos. No início, Jack chega a respeitar as atitudes de Ralph, mas com o tempo a inveja pela liderança aflora e os dois se tornam inimigos declarados.
No início, o prazer pela caça que Jack e os outros demonstram parece fazer parte de uma grande brincadeira, coisa de criança, mas com o passar do tempo a diversão se torna obsessão e vira uma atividade doente de caça e matança. 
William Golding discute o instinto humano de sobrevivência e mostra como o medo do desconhecido pode afetar o julgamento e criar pessoas cada vez mais violentas. O livro foi escrito logo após a Segunda Guerra Mundial, em uma época em que o mundo vivia com medo de outro conflito de proporções grandes, quando a natureza do bem e o do mal eram constantemente debatidas. O autor usou esse estado de medo para escrever sobre um grupo de crianças que acabam em uma ilha deserta, longe da civilização, regras e adultos. 
O temor na vida das pessoas é explorado pelo autor no momento em que as crianças passam a acreditar que há um monstro na ilha. Eles começam a viver em um constante estado de tensão, embora apenas algumas delas tenham visto o tal monstro. A história traz uma série de analogias, começando com o título, que se refere a Belzebu, cujo significado do nome é exatamente Senhor das Moscas. 
Essa não é uma leitura leve, não mesmo! Fiquei pensando no desfecho o que me deixou meio abalada. O último trecho do livro é arrepiante. 
Esse é um livro maravilhoso e assustador, com reflexões sobre a perda da inocência, de como a humanidade sempre caminha para a guerra mesmo em meio à pureza e, também, sobre a ascensão do mal no coração humano. Uma história real sobre o animal mais perigoso de todos: o homem. 

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Mulher Ancestral – Josielma Ramos

Desde os primórdios dos tempos a mulher sente essa energia,
É como um mantra ecoando em sua mente,
Impelindo a sua raiz selvagem.

É uma necessidade que seu corpo se mova,
Que dance em meio à floresta,
Que seu abraço envolva tudo em uma festa.

Ela é como uma árvore,
Fincando no solo suas raízes profundas,
Ascendendo em direção às nuvens.

A mulher está em tudo!
Ela é a chuva que chega para lavar a alma,
Manhã ensolarada e noite de lua cheia.

Ela é uma força imbatível,
Tempestade de areia, vulcão em erupção,
E está até mesmo em uma simples canção.

O espírito feminino habita na selva,
Mantendo viva sua ancestralidade,
Protegendo sua semente.

Mulher e natureza são uma só,
Pois foi no colo feminino,
Que nasceu o princípio do mundo.